
Gabriel Botelho, também chamado de Gabriel Japa, é fotógrafo, documentarista e diretor de criação de imagem.
Sua obra é atravessada por uma pergunta silenciosa: o que significa ser o primeiro?
Porque o primeiro? O primeiro a se tornar um artista dento da família, a contestar quaisquer plano programado para si, a ir de encontro a imposta realidade que o rondava.
Terceiro filho de sua mãe Ivete, a quem lhe deu o sangue indígena, primeiro filho de seu pai Agostinho, a quem lhe trouxe o sangue português.
Gabriel carrega em si o que Darcy Ribeiro, em O Povo Brasileiro, chamou de "primeiro brasileiro" — aquele que não é totalmente aceito por um lado nem por outro. Não que ele se sinta um "ninguém". Pelo contrário: sabe quem é, de onde vem e tem dedicado sua vida a se aprimorar para si, para os que estão ao seu redor e para o mundo que o espera. Essa consciência ancestral e identitária é o motor silencioso de tudo o que produz. Essa consciência ancestral e identitária é o motor silencioso de tudo o que produz.
Nascido e criado na Zona Norte do Rio de Janeiro, no bairro do Rocha e Riachuelo.
Gabriel cresceu em meio à efervescência cultural do subúrbio do Rio de Janeiro pelos bairros do Engenho Novo, Méier, Morro da Mangueira, Tuiuti, Jacaré e São Cristóvão.
Foi nesse território fértil que seus olhos aprenderam a enxergar poesia onde muitos veem apenas rotina.
Sua relação com a fotografia começou cedo, de forma quase lúdica: aos 11 anos, seu pai juntou selos do jornal Extra para trocar por uma câmera analógica simples e barata. Pouco sabia ele que aquele gesto inauguraria uma trajetória. Anos depois, Gabriel se formaria Técnico em Operador de Câmera pelo SENAC e, mais tarde, Bacharel em Marketing pela Castelo Branco — uma combinação que une sensibilidade artística e visão estratégica.
Antes de se dedicar integralmente à imagem, Gabriel viveu intensamente o universo da música. Foi fundador do grupo de rap 4:20REP e do coletivo Balalaika Gang, montou estúdio próprio de gravação e, nesse período, começou a registrar videoclipes e ensaios fotográficos. Foram quase 10 anos de imersão musical que moldaram sua escuta ativa e seu olhar para a cena independente.
Profissionalmente, atua desde 2016 com fotografia e vídeo, construindo um portfólio que transita com naturalidade entre o pessoal, o documental e o comercial.
Já colaborou com marcas como Reserva, Melissa, Sonho dos Pés, Sapatella, Feira DEX, CRIS.Records e ARC, e com artistas de diferentes segmentos, como Rita Benedito, Ricardo Teodoro e Pedro Galaso.
Seu olhar documental, no entanto, vai além das campanhas: ele desenvolve projetos autorais que registram pessoas reais em seus territórios, com sensibilidade e verdade.
Entre os projetos pessoais, Gabriel vem construindo alguns trabalhos que apresentam sua visão artística e social a respeito da sociedade e suas construções.
Projeto como Condutor, o qual traz uma visão detalhista dos mais variados emaranhados de fios que conduzem a energia essencial para nossa vida contemporânea, principalmente nos territórios do subúrbio e favelas do Rio de Janeiro.
O projeto Sertão do Kariri. Gabriel vem realizando um trabalho de pesquisa genealógica sobre seus ancestrais maternos, nascidos e criados em Bananeiras, na região do Brejó Paraibano, no Sertão do Kariri.
Essa busca por suas raízes indígenas não é apenas um exercício de memória — é uma forma de reexistir e de afirmar, pela imagem, a potência de um povo que ainda respira.
E, mais recentemente, o projeto Retrato Aberto, que amplia o acesso à fotografia autoral para pessoas que historicamente foram mantidas à margem da sociedade e da imagem. O projeto transforma o retrato em um espaço de pertencimento, potência e memória, oferecendo registros feitos com cuidado e qualidade para artistas independentes e pessoas de diferentes contextos. Cada retrato realizado torna-se ferramenta de empoderamento, fortalecendo identidades, impulsionando trajetórias e garantindo que quem está diante da lente ocupe, enfim, o centro da narrativa.